A Angelina Jolie (atentem na referência altamente revolucionária e erudita) tem algures tatuado uma frase dos Clash : "Know your rights" - ela acertou não só no namorado e no regime alimentar, mas também no que gravou na pele.
Este texto, por mais contestado que seja, aponta-nos o dedo ao perigo de um protesto não-esclarecido "Só conhecendo integralmente os nossos direitos, podemos perceber em que sentido nos é possível avançar. Como saber o que podemos ter se não soubermos o que já temos?".
Amanhã, 4a. feira, Ana Teresa Mota, ex-directora de recursos humanos, actual mãe a tempo inteiro, toda flexibilizada em consultoria através do coaching online, vai-nos explicar, a flexibilidade e os direitos que já temos e, o mais importante, a melhor forma de os reclamar.
Mais, vai estar disponível para responder a pergundas indiscretas, trabalhar alternativas profissionais e até dar coaching, se for preciso. Entretanto, em caso de urgência aqui encontram tudo o que precisam de saber sobre o que já é nosso.
Flexibilizadamente vossa,
Ernestina
quarta-feira, 4 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Por uma fexibilização sustentada, altruísta e com perspectiva social
Agradam-me as mudanças e aceito tudo o que signifique mudar para melhor. Mas confesso que no "Revolucionar para Flexibilizar" tenho lido muita coisa que me tem deixado de pé atrás e que tem a ver com a falta de conhecimento de algumas mães, coisa que me choca muito partindo do princípio que a maioria tem formação, informação e acesso livre e frequente ao conhecimento. As mudanças que não são sustentadas não levam a bom porto. O princípio é nobre e excelente, mas tenho dúvidas de que as pessoas o compreendam na totalidade :
1. Como é que uma mãe que não tem coragem para simplesmente informar que vai gozar o período de 2 horas por dia amamentação (que está na lei) pode ter coragem para exigir flexibilidade no horário de trabalho (que ainda não está na lei)?
2. Como é que uma mulher que não tem coragem para simplesmente informar que, após o nascimento do filho, regressará ao final de 5 meses (que está na lei), pode ambicionar uma licença de parto semelhante à dos países nórdicos (que não temos ainda)?
3. Que direitos pode pedir uma mãe que desconhece os que já tem?
Infelizmente é o que eu tenho visto mais nos textos que tenho lido: desconhecimento profundo da realidade. Isso pode ser suicídio em qualquer revolução.
Mais: para revolucionar nenhuma mãe pode centrar-se apenas no seu caso particular, mas ter uma noção global do estado das coisas. Uma revolução destas faz-se pelo bem da sociedade e do futuro e não para resolver uma situação individual ou para compensar uma revolta interior contra um determinado patrão ou chefe.
NUNCA deixei de exercer os meus direitos: não falto a uma reunião na escola, não falto nas festas do dia da mãe, sou eu que os levo ao médico, usufruiu da licença de parto na totalidade e também da licença de amamentação. Sobra-me tempo para mim? Sobra, sem dúvida! É uma questão de gestão do tempo. É suficiente? Não, claro que nunca é quando está em causa a tarefa de educar. Mas não se pode construir a casa começando pelo telhado e creio que há muita gente a querer construí-la pelo telhado.
Muitas mulheres e muitos homens lutaram demasiado para termos os direitos que temos. Temos que lhes fazer jus antes de mais nada, em vez de adoptarmos o discurso do "ah, exercer direitos não vale a pena porque nos despedem". É gravíssimo que uma mulher pense isto (a não ser que esteja sem contrato). É gravíssimo que uma mulher não saiba que um salário NÃO pode ser baixado (a não ser que seja pago por baixo da mesa). É gravíssimo que se vire as costas ao conhecimento, à informação, e depois se venha reclamar situações e benefícios para os quais as empresas e o país podem não estar preparados. Porque é preciso pensar nisso. Pensar na estabilidade das empresas também, porque as empresas são o motor da economia do país e no que toca à economia estamos como se sabe... na lama. E lembrarmo-nos que nem
todas as funções podem ser flexibilizadas.
Queria que percebessem que nada disto significa que eu discordo da flexibilização. Pelo contrário. Só acho que ela deve ser sustentada, altruísta, ter uma perspectiva social. E tenho pena de não ver essa visão numa grande parte dos textos que tenho lido no novo blogue. É tudo "eu, eu, eu, eu, eu, o meu marido, os meus filhos, eu, eu, eu...". Não se muda o mundo chafurdando no umbigo. Muda-se o mundo para se deixar uma herança. Que perdure para além de nós e dos nossos interesses particulares.
Uma notinha extra: e os pais, os homens? Não entram nesta história?
Não têm direito a nada? Não têm nada mais para conquistar ?
Um abraço
MP
1. Como é que uma mãe que não tem coragem para simplesmente informar que vai gozar o período de 2 horas por dia amamentação (que está na lei) pode ter coragem para exigir flexibilidade no horário de trabalho (que ainda não está na lei)?
2. Como é que uma mulher que não tem coragem para simplesmente informar que, após o nascimento do filho, regressará ao final de 5 meses (que está na lei), pode ambicionar uma licença de parto semelhante à dos países nórdicos (que não temos ainda)?
3. Que direitos pode pedir uma mãe que desconhece os que já tem?
Infelizmente é o que eu tenho visto mais nos textos que tenho lido: desconhecimento profundo da realidade. Isso pode ser suicídio em qualquer revolução.
Mais: para revolucionar nenhuma mãe pode centrar-se apenas no seu caso particular, mas ter uma noção global do estado das coisas. Uma revolução destas faz-se pelo bem da sociedade e do futuro e não para resolver uma situação individual ou para compensar uma revolta interior contra um determinado patrão ou chefe.
NUNCA deixei de exercer os meus direitos: não falto a uma reunião na escola, não falto nas festas do dia da mãe, sou eu que os levo ao médico, usufruiu da licença de parto na totalidade e também da licença de amamentação. Sobra-me tempo para mim? Sobra, sem dúvida! É uma questão de gestão do tempo. É suficiente? Não, claro que nunca é quando está em causa a tarefa de educar. Mas não se pode construir a casa começando pelo telhado e creio que há muita gente a querer construí-la pelo telhado.
Muitas mulheres e muitos homens lutaram demasiado para termos os direitos que temos. Temos que lhes fazer jus antes de mais nada, em vez de adoptarmos o discurso do "ah, exercer direitos não vale a pena porque nos despedem". É gravíssimo que uma mulher pense isto (a não ser que esteja sem contrato). É gravíssimo que uma mulher não saiba que um salário NÃO pode ser baixado (a não ser que seja pago por baixo da mesa). É gravíssimo que se vire as costas ao conhecimento, à informação, e depois se venha reclamar situações e benefícios para os quais as empresas e o país podem não estar preparados. Porque é preciso pensar nisso. Pensar na estabilidade das empresas também, porque as empresas são o motor da economia do país e no que toca à economia estamos como se sabe... na lama. E lembrarmo-nos que nem
todas as funções podem ser flexibilizadas.
Queria que percebessem que nada disto significa que eu discordo da flexibilização. Pelo contrário. Só acho que ela deve ser sustentada, altruísta, ter uma perspectiva social. E tenho pena de não ver essa visão numa grande parte dos textos que tenho lido no novo blogue. É tudo "eu, eu, eu, eu, eu, o meu marido, os meus filhos, eu, eu, eu...". Não se muda o mundo chafurdando no umbigo. Muda-se o mundo para se deixar uma herança. Que perdure para além de nós e dos nossos interesses particulares.
Uma notinha extra: e os pais, os homens? Não entram nesta história?
Não têm direito a nada? Não têm nada mais para conquistar ?
Um abraço
MP
Flexibilização
Acredito que a forma como um país
encara e protege a maternidade (no seu sentido amplo) diz muito sobre
a sua capacidade de evoluir, de se tornar melhor e de dar mais aos
seus. Educar é investir. Mas como se trata de um investimento cujo
retorno muitas vezes só se vê 20 ou 30 anos depois, e como os
portugueses têm visão de curto prazo e estão concentrados nos
resultados imediatos, a maternidade em Portugal sofre. Sofrem as mãos,
sofrem os filhos, sofrem os pais, sofrem as entidades patronais,
sofrem os clientes.
Contudo, mesmo achando este movimento nobre e consequente, creio que é
preciso cimentar algumas coisas que este país ainda não
consciencializou como dados adquiridos: os direitos fundamentais
associados à maternidade. Eles estão na legislação e, graças à
internet, estão acessíveis à maioria das pessoas. Mas atenção: há uma
boa parte das mulheres portugueses que nem sequer conhece bem esses
seus direitos elementares enquanto mães. Muitas mulheres não sabem,
por exemplo, que faltar ao trabalho para a consulta de obstetrícia (e
para qualquer outra) é um direito, uma falta justificada. Muitas
mulheres pensam que a licença de parto é um favorzinho da entidade
patronal. Aquelas que estão a recibo verde são um caso à parte. Mas as
que têm contratos de trabalho ou estão efectivas têm que perceber de
uma vez por todas que NINGUÉM lhes pode tirar o direito à licença de
parto, que não podem ser pressionadas para abdicar dele por causa ou
necessidade nenhuma! Muitas mulheres não gozam o direito à
flexibilidade de horário para amamentação (2 horas por dia) porque
também não sabem que ele está consagrado na lesgislação e algumas nem
sequer querem usufruir dele com o argumento de que têm muitas
responsabilidades no trabalho (como se as outras mulheres fossem umas
inúteis dispnesáveis). Muitas mulheres ignoram que NÃO é um favor da
empresa o facto de poderem sair para levar os filhos a consultas
médicas, poderem ficar com eles em casa em situações dce doença e irem
à escola com alguma regularidade para tratar dos assuntos respeitantes
à educação dos seus filhos. Contudo, tudo isto está consagrado na lei.
Só não sabe quem não quer saber.
Podemos perguntas: mas isto é suficiente? Não podemos ir mais longe?
Bolas, podemos, então não podemos? Podemos e devemos? Mas antes de
darmos um passo no sentido da flexibilização, devemos dar muitos no
sentido do esclarecimento, sob pensa de estarmos a construir uma casa
de bambu que facilmente vai pelos ares ao sopro dos lobos maus que
andam por aí à solta. A informação, o conhecimento, são as melhores
armas de que um cidadão dispõe para poder tornar-se livre. Só
conhecendo integralmente os nossos direitos, podemos perceber em que
sentido nos é possível avançar. Como saber o que podemos ter se não
soubermos o que já temos?
As mulheres estão cansadas, desgastadas, exaustas e, apesar disso,
quase todas felizes por serem mães. Mas a verdade é que muitas delas
não querem sequer saber os direitos que já têm. É legítimo que exijam
mais quando nem sequer conhecem o que já foi conquistado? E se
começássemos isto por outro lado? Pelo lado da informação, do
esclarecimento? Há certamente entre os vossos leitores pessoas de
diferentes especialidades técnicas que podem contribuir para isso, a
par e passo com as vivências e experiências pessoais de todas as mães
que podem continuar a atiçar este sentimento positivo e de mudança.
Pedir mais sim! Exigir mais sim! Mas em plena consciência, sempre.
Obrigada
MP (Mãe Preocupada)
Estou de acordo, mas não concordo...
E porquê? Ora, para a dita flexibilização poder ter lugar será necessário que mãe e pai se entendam e disciplinem. De contrário, capotam mesmo. Por mim falo : não consigo concentrar-me em casa para qualquer actividade profissional enquanto a garotada por ali anda à volta solicitando atenção, ou não. Aquele é o espaço e o tempo que lhes é devido. Trabalhando em casa não é dificíl interromper hora a hora a tarefa. Tal não favorece a minha prestação profissional, garantidamente. Quer se queira quer não, quem fica em casa fica também (facilmente se subentende) mais "disponível" para ir buscar à escola, levar à ginástica, depois ir levar à natação. Depois à música e ao jardim e a avó ainda não nos viu esta semana... e... bom, na minha opinião (vale o que vale) esta é a verdadeira falácia da flexibilização, uma vez que a flexibilização já é intrinseca ao papel de mãe. Acontece é que mãe também é outras coisas. Parece-me que deve é voltar a ser trazido à baila a igualdade de participação do pai na maternidade: Onde este participa e flexibiliza? Até onde as mães deixam? Será que as mães sabem que as tarefas são para ser da responsabilidade de dois? Ou querem ser super-mamãs super-profissionais super-mulheres super-justas e ...? Mas quem andou a convencer as mães de que elas têm que estar sempre presentes em tudo na vida dos filhos? As mães tendem a perder-se no caminho da maternidade pela quantidade de descobertas que fazem ao longo desta. É um caminho que talvez não seja o seu, mas sim, dos seus filhos. Defendo que "tempos" e "espaços" devem ser respeitados. Assim como não deve haver crianças no trabalho não deve haver pais nas salas de aulas nem nas creches. Assim como os espaços laborais não estão adapatados a receber a criançada também em casa não deve haver o escritório onde o pai ou a mãe passam 98% do tempo que está em casa. Ainda não capotei, (não tem sido fácil) mas penso ter conseguido respeitar a profissão (e já só tenho 1 emprego + uma actividade profissional) e as necessidades dos meus filhos (1 adolescente e+ 1 pré-adolescente). Claro que também fui (e sou) flexível: Os filhos já tiveram que me acompanhar ao local de trabalho, e, o trabalho, por vezes, acompanhou-me ao local das actividades familiares. Tenho presente que um dia serei novamente chamada a flexibilizar-me um pouco mais: não fui ainda chamada a responder enquanto filha. Os meus pais ainda não precisam de cuidados e atenções especiais. Quando tal acontecer (espero que esteja longe o dia) , talvez aí vá encher o peito (e os k me conhecem vão desencorajar-me a fazê-lo) e vou gritar a plenos pulmões. FLEXIBILIZEM QUE EU AGORA DÁ-ME MAIS JEITO ESTAR A TRABALHAR (MAS SÓ SE FOR DAS 21H00 ÀS 3H00, CLARO!!) Mas isto, parece-me francamente egoísta. Daqui, remeto para o título do comentário: Estou de acordo, mas não concordo. Fico-me por aqui, que o comentário já vai longo... (vê-se mesmo k nunca ando nestas andanças..)
Um beijinho para a mãe que capotou...
desta mãe um pouco louca
SuLouca
Um beijinho para a mãe que capotou...
desta mãe um pouco louca
SuLouca
Quem tem medo do lobo mau ?
O metro estava a abarrotar de hormonas de crescimento, ninguém tinha pago o bilhete e o ambiente não andava perto dos estádios de futebol quando o Sporting ganhava campeonatos. Viva o Sporting ! (sim, ainda existimos). Chegados à 5 de Outubro era difícil furar até ao Ministério da Educação, estavamos em 92 a protestar contra uma PGA que a mim, muito provavelmente injustamente, me favoreceu à grande. Havia estudantes em cima das árvores, dos carros que mais tarde rumaram à garagem, estudantes em cima uns dos outros. Havia incitações a cânticos que eu, púdica linguística na altura não assumida, não cantava discretamente e um movimento de rabos de rapazes à mostra a que, hélas, o Francisco do 12°D não aderiu. O ministro da educação da altura era mandado para todo o lado, às vezes para sítios não tão desinteressantes assim. Fui-me embora a meio, já aos 17 anos, o preto e branco não eram as minhas cores preferidas.
Hoje, a reclamar a flexibilidade, de que todas precisamos como da água para a boca, mais uma vez ganha a tendência ascentral e tão cativante do voodoo. Personifica-se o mal, neste caso o papel do bicho calhou ao sr. empregador, e toca de lhe espetar agulhas e queimá-lo numa fogueira onde mais tarde vamos aquecer mushrooms, de que nem sou fã. E corremos o risco de repetir aqui o que repetimos no café ou nos corredores das pausas de cigarro ou no facebook e não vamos a lado nenhum, ou chegamos lá muito mais tarde. Da parte que me toca, tenho pena, mas preciso de um part-time a partir de Novembro-Dezembro, estou com pressa, e vou fazer como sempre fiz e muitas vezes me tenho dado bem, vou convidar o lobo a tomar um chá.
Vou perceber o lado dele e explicar-lhe o meu, sei que nestas coisas da revolução pedir o impossível está na berra - aí o que eu gosto do slogan "soyez realistes : demandez l'impossible", os franceses sempre foram muito bons nesta coisa do marketing político, verdade seja dita - mas eu, mais o meu amigo lobo, não temos paciência para lirismos e vamos tentar negociar. E comer o máximo de scones que conseguirmos.
Alguém mais é servido ?
A movimento pode continuar, mas vamos ter que nos revolucionar muito mais do que o que, se calhar, estavamos à espera.
Resumo para os mais apressados : vamo-nos juntar todos, nós (muitos, muito), mas eles também, com conhecimento de causa e do outro campo, e vamos, sem perder tempo com tretas, mudar o mundo rapidamente, que não tarda nada tenho que ir à piscina.
Ernestina ou a Mãe que capotou
Hoje, a reclamar a flexibilidade, de que todas precisamos como da água para a boca, mais uma vez ganha a tendência ascentral e tão cativante do voodoo. Personifica-se o mal, neste caso o papel do bicho calhou ao sr. empregador, e toca de lhe espetar agulhas e queimá-lo numa fogueira onde mais tarde vamos aquecer mushrooms, de que nem sou fã. E corremos o risco de repetir aqui o que repetimos no café ou nos corredores das pausas de cigarro ou no facebook e não vamos a lado nenhum, ou chegamos lá muito mais tarde. Da parte que me toca, tenho pena, mas preciso de um part-time a partir de Novembro-Dezembro, estou com pressa, e vou fazer como sempre fiz e muitas vezes me tenho dado bem, vou convidar o lobo a tomar um chá.
Vou perceber o lado dele e explicar-lhe o meu, sei que nestas coisas da revolução pedir o impossível está na berra - aí o que eu gosto do slogan "soyez realistes : demandez l'impossible", os franceses sempre foram muito bons nesta coisa do marketing político, verdade seja dita - mas eu, mais o meu amigo lobo, não temos paciência para lirismos e vamos tentar negociar. E comer o máximo de scones que conseguirmos.
Alguém mais é servido ?
A movimento pode continuar, mas vamos ter que nos revolucionar muito mais do que o que, se calhar, estavamos à espera.
Resumo para os mais apressados : vamo-nos juntar todos, nós (muitos, muito), mas eles também, com conhecimento de causa e do outro campo, e vamos, sem perder tempo com tretas, mudar o mundo rapidamente, que não tarda nada tenho que ir à piscina.
Ernestina ou a Mãe que capotou
O bem estar do trabalhador no local de trabalho passa também pelo bem estar em casa
Sejamos honestas..
Não me posso queixar!
Tenho um Chefe muito pouco fléxivel, mas que sabe quais são os meus
direitos.. Não contesta quando "preciso" deles.. Não gosta, mas não
refila!
Se preciso de ficar com os miudos em casa, fico.
Se preciso sair mais cedo, saio.
Se precisar chegar mais tarde, chego.
Tirei os 5 meses de licença ( minha opção) e Utilizei a licença de
aleitamento até fazer 1 ano com os horários reduzidos!
Se por algum acaso preciso de sair mais tarde do trabalho, saio.. Ou o
Pai dos outos o a avó ficam com eles.. Sem problemas..
Saio cedo de casa, mas comigo só levo um para a creche.. os outros vão
com o Pai..
Sei que, se precisasse de ser eu a deixa- los a todos na creche/
escola poderia pedir um horário flexivel.. bastaria para isso entrar
ás 9.00 em vez de entrar ás 8.30 e sair ás 17 em vez das 16.30.. Mas
não preciso.. Ainda!
Quando chego a casa por volta das 6 já lá estão todos.. com a minha sogra!
Tenho tempo para ir às ginástica.. tenho tempo para jantar calmamente
com os meus filhos.. de ir dar o beijinhos á cama e ainda de ficar na
conversa com o meu marido!
Mas tenho noção que há por aí muita chefia "malandra"..
Sei que há muito que batalhar..
Sei que tenho sorte!
Acredito que se esta flexibilização fosse geral as empresas, os
empregadores apenas teriam a ganhar..
O bem estar do trabalhador no local de trabalho ´passa também pelo bem
estar em casa.. e se alguem se sente culpado por não poder fazer mais
em casa, como poderá fazê-lo no trabalho?
"A mãe dos 3" (http://euemaisalgumacoisinha.blogspot.com )
Não me posso queixar!
Tenho um Chefe muito pouco fléxivel, mas que sabe quais são os meus
direitos.. Não contesta quando "preciso" deles.. Não gosta, mas não
refila!
Se preciso de ficar com os miudos em casa, fico.
Se preciso sair mais cedo, saio.
Se precisar chegar mais tarde, chego.
Tirei os 5 meses de licença ( minha opção) e Utilizei a licença de
aleitamento até fazer 1 ano com os horários reduzidos!
Se por algum acaso preciso de sair mais tarde do trabalho, saio.. Ou o
Pai dos outos o a avó ficam com eles.. Sem problemas..
Saio cedo de casa, mas comigo só levo um para a creche.. os outros vão
com o Pai..
Sei que, se precisasse de ser eu a deixa- los a todos na creche/
escola poderia pedir um horário flexivel.. bastaria para isso entrar
ás 9.00 em vez de entrar ás 8.30 e sair ás 17 em vez das 16.30.. Mas
não preciso.. Ainda!
Quando chego a casa por volta das 6 já lá estão todos.. com a minha sogra!
Tenho tempo para ir às ginástica.. tenho tempo para jantar calmamente
com os meus filhos.. de ir dar o beijinhos á cama e ainda de ficar na
conversa com o meu marido!
Mas tenho noção que há por aí muita chefia "malandra"..
Sei que há muito que batalhar..
Sei que tenho sorte!
Acredito que se esta flexibilização fosse geral as empresas, os
empregadores apenas teriam a ganhar..
O bem estar do trabalhador no local de trabalho ´passa também pelo bem
estar em casa.. e se alguem se sente culpado por não poder fazer mais
em casa, como poderá fazê-lo no trabalho?
"A mãe dos 3" (http://euemaisalgumacoisinha.
O trabalho é uma troca e deve ser saudável e feliz
Há dois anos, mais coisa menos coisa, pus fim a uma pretensa carreira no jornalismo, sobre a qual não me vou perder em conjecturas. Creio que o motivo mais forte seja esse maldito estado de amor sem retorno, que desgastou de tal forma a relação ao ponto de, pura e simplesmente, já nada existir entre nós. Eu sou assim. Demoro a desiludir-me, mas quando o ponto final surge, é redondo, pesado e, quase sempre, definitivo. Nessa profissão, em que se exige uma relativa disponibilidade, vi-me muitas vezes confrontada com um duelo desigual entre dar o melhor de mim a uns e a outros. É que para mim, a realização pessoal vem muito do trabalho. Assim como produzir, fazer parte. Somos todas diferentes, neste capítulo. Sem mágoas, apercebi-me que poderia continuar a dar o meu 100%, se este 100% fosse entre as 9h00 e às 18h00. Para uns, poderia parecer pedir muito; na minha óptica era lógico e útil. Era uma questão de compartimentalizar os trabalhadores e colocá-los nas áreas/ horários em que mais produzem. Não me consideraria beneficiada se assim tivesse sido. Mas não foi. Nunca é. Sem rectaguarda familiar, sei muito bem que as faltas para estar com os meus filhos eram toleradas, mas davam de mim a imagem real: eu era mãe. Uma mãe precária, a recibos verdes. Com tudo o que isso implica. Das licenças da maternidade, sentia a pressão que eu própria me impunha e aquela que sentia como uma camada densa, a pairar em cima de mim. Pediram-me que estivesse apenas dois meses de licença. Eu fui até aos três e o pai, que pode, cumpriu o resto. Mas o pior eram as doenças. Os meus filhos, cada um anos diferentes, adoeciam muitas vezes. Cheguei a fazer entrevistas e a escrever textos com eles ao colo, porque não queria deixar o jornal sem notícias que eu considerava importantes. Sim, tenho muito brio. Brio no que faço e respeito pelo órgão de comunicação social que me empregava. A dada altura, quando a crise chegou em força e me levou amigos, atirados para a rua de qualquer maneira, a pressão, que já era muito, foi recaíndo sobre mim. Era preciso dar mais. Dar cada vez mais e sem contrapartidas. E agradecer, agradecer muito pelo pouco que tinha, porque havia colegas em situação pior. Este tipo de psicologia nunca funcionou comigo. Os meus filhos e a minha família mereciam melhor. Mereciam que eu me respeitasse, primeiro a mim, depois ao mundo. Afinal, eu estava a fazer sacrifícios para quem e porquê? Por perfeccionismo? A esta altura, isso já não chegava. Eu queria, ó utopia, ser valorizada, aumentada, como todos os trabalhadores. E queria, sobretudo, não sentir que estava a falhar redondamente quando a minha família ficava em primeiríssimo lugar. Eles nunca mereceram menos do que isso.Senti a pressão do fracasso (o que eu me auto- induzia e o que os outros me faziam sentir) em força no internamento da mais nova no hospital, durante uma semana. As pessoas compreendem, mas ficam com aquele tom de “se tem de ser...”. O trabalho é uma troca e deve ser saudável e feliz. E eu já não era feliz. Já nem sentia remorsos quando, numa urgência, me mandavam para Espanha em trabalho e eu recusava. Simplesmente, não podia ir sem fazer planos com antecedência. Acho que o fim da relação foi quando contaram as peças jornalísticas que eu tinha feito no mês e alguém insinuou que eu andava a produzir menos (que é feito da qualidade, em detrimento da quantidade?). Comecei, por fim, a perceber que ninguém estava interessado em bons trabalhos. Era mais o reino do fax, ao estilo de fábrica de letras, em que se premiavam os medíocres. Vim embora. Vim embora de cabeça bem alta e passei os dois piores e mais intensos anos da minha vida. O mundo continuou. O jornal também. Não tenho saudades ou remorsos. Em Setembro de 2010 criei o meu próprio negócio. A patroa é exigente, mas é justa. É perfeccionista como sempre. E pode trabalhar doze horas non stop se for preciso, mas, no dia seguinte, se lhe apetecer pode ficar com os filhos só para os amar ou levar ao médico. Assim, com justiça.
Luz de Estrelas/Isabela Sousa
www.projectcyrano.blogspot.com
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